Os Desafios do Pentecostalismo

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pentecostNo início do século 20, não passávamos de um punhado de crentes que, refugiados na Rua Azuza, em Los Angeles, buscávamos uma porção dobrada do Espírito Santo. Entramos no cenáculo e a promessa do Cristo não mentiu. Já revestidos de poder e usufruindo já de todos os dons, saímos a conquistar um mundo que se evidenciava moderno. Em menos de cinquenta anos, eis-nos em todos os continentes e ilhas. Beirando agora o centenário, os confins da terra já não nos parecem tão estranhos; revelam-se palmilháveis.

No Brasil, chegamos em 1910 e deparamo-nos com uma terra que, embora descoberta pela cristandade, achava-se ainda coberta para o cristianismo. Hoje, vêmo-la descobrir-se cristianamente, ensejando-nos grandes desafios evangelísticos, missionários e apologéticos.

Se na gênese do Movimento Pentecostal o mundo exibia-se moderno, o mesmo mundo, passado um século, presume-se evoluído e pós-moderno. Como enfrentar-lhe os desafios? O irmão Seymour não se assustou com a modernidade de seu tempo; encarou os desafios e, pela fé, ousadamente, venceu-os. Diante de tal exemplo, que alternativa nos resta? Se não vencermos os desafios da pós-modernidade, podemos até florescer algumas conquistas. Todavia, jamais frutificaremos a expansão do Reino de Deus até aos confins da terra.

Eis os desafios que estão a subestimar-nos; por isso, não temos de superestimá-los:

  1. Conquistas inacabadas – Ufanamo-nos por ser a maior igreja da América Latina. O Brasil, porém, continua a esperar por uma ação evangelizadora integral, completa e global (Js 13.1). Se nas cidades avançamos, nos campos e regiões ribeirinhas, muito há por fazer. E se a mensagem evangélica já está adaptada à língua portuguesa, urge levarmos o Cristo àqueles povos de estranhas línguas que, desde o achamento do Brasil, jazem escondidos nos verdores ainda virgens de nossas matas.O desafio não pode ser ignorado. É um gigante a afrontar-nos no vale de uma decisão que reivindica uma coragem singular. Tão singular quanto o povo que, revestido de poder, reúne as condições todas para evangelizar a terra que é vista e as que se acham nos confins (At 1.8). Não foi o que fizeram os dois jovens suecos ao se depararem com os longes de nosso chão? Por que haveríamos nós de ignorar as searas que clamam por salvação?
  2. O desafio apologético – Este século não é a favor nem contra Deus; é indiferente a Deus e à sua Palavra. Tal indiferença, todavia, é iniquidade e grosseria intelectual (Jr 2.6; Sl 14.1). De relance, quem não indaga acerca das necessidades espirituais e morais do ser humano, apruma-se refinado e culto. Mas escrutinado pelos santos profetas e apóstolos, revela-se como aquele que, arrogando-se por sábio, faz-se louco (Rm 1.22).A luta pela santíssima fé não se dá apenas no terreno da polimia; fere-se, renhidamente, num teatro de operações sutis e quase invisíveis. Assim é o palco da apologética. Num estressante cotidiano, somos desafiados por uma gente bárbara e intelectualmente perversa; uma gente divorciada da fé e inimiga de Deus. Diante dessa gente cultamente inculta, mas disfarçada sempre com os requintes da civilização, urge-nos apresentar as razões de nossa fé (1Pe 3.15).Não somos apenas uma comunidade evangelística. Ergamo-nos apologeticamente. As armas para deflagrar essa guerra, têmo-las nós (Rm 13.12; 2Co 6.7; 10.4; Fp 1.7).Muitas são as perguntas a responder. Existe um Deus único e verdadeiro que intervém na história? Tem a mensagem do Cristo relevância para os nossos dias? E a Bíblia? É possível a sua contemporaneidade? Existe, de fato, uma religião verdadeira.Há valores absolutos? A verdade é possível? As perguntas são muitas; as respostas que temos, porém, não são poucas; a Bíblia é um grande manancial.
  3. O desafio da apostasia – A que assemelharei a apostasia? A um abismo que chama outros abismos. Hoje, incomodado com a verdade; amanhã, apóstata e herege (1 Tm 4.1). Hoje, com a Bíblia; amanhã, com a própria escritura. Hoje, ainda com a unção de Deus; amanhã, feiticeiro (1 Sm 15.23). Hoje, despindo-se da humildade cristã; amanhã, revestindo-se de orgulho e soberba (Ez 28.1-19; 1 Tm 3.6).Se caminharmos de apostasia em apostasia, com que nos apresentaremos ante o Senhor? Com profecias e milagres? Com sinais e maravilhas? Ou com exorcismos? Tais coisas, porém, jamais nos farão conhecidos diante de Deus. Apresentemos tudo isso ao Senhor, e ainda correremos o risco de ouvir do Rei: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.21-23).Somente uma coisa faz-nos conhecidos diante do Cristo: o amor sacrifical que, mansa e humilhadamente, lhe devotamos. Este é o argumento mudo, dolorido e pungente dos santos. Somente a humildade traz a ortodoxia doutrinária.
  4. Uma mensagem com poder pentecostal – Se me perguntarem, hoje, que mensagem apresentar nestes tempos impiamente pós-modernos, responderei: “Jesus Cristo salva, batiza no Espírito Santo, cura as enfermidades, opera sinais e maravilhas e, brevemente, haverá de arrebatar-nos”.Nossa homilética, por conseguinte, não necessita de nenhum sucedâneo; é completa em si mesma, pois essencialmente bíblica. Teológica e historicamente, é a mesma mensagem que nos trouxeram Daniel Berg e Gunnar Vingren nos alvores do século XX. Aí, o Calvário e o Cenáculo. Também, aí, o avanço da Igreja e o estrugir da trombeta do arcanjo.Hoje, portanto, não carecemos de nenhuma confissão positiva; carecemos urgentemente, sim, de confissão de pecados, a fim de que alcancemos a misericórdia divina. Não carecemos, de igual modo, da teologia da prosperidade, pois a prosperidade de certas teologias enoja o Nazareno. Não tinha Ele onde reclinar a cabeça, mas uma cruz para adormecer a fronte. Quanto aos que, ousada e impiamente, nos invadem as igrejas e congregações com mensagem exóticas, não tem eles cabeça para reclinar; fizeram-se loucos diante do Cordeiro. Endureceram de tal maneira a cerviz, que já não podem curvar a cabeça ante a soberania divina.Que futuro espera os pentecostais? Não me preocupo com essa questão, pois os dois últimos capítulos do Apocalipse mostram, detalhadamente, o porvir que nos aguarda. Minha preocupação é com o presente. O que temos feito deste presente que nos concedeu o Senhor Jesus no Cenáculo? Já de posse deste presente, estamos nós, de fato, presentes onde o Nazareno jamais estaria ausente?O nosso presente exige que sejamos espiritual e biblicamente coerentes. Doutra forma, não haverá futuro; haverá apenas um passado glorioso; escreveremos história; mas, história, jamais faremos. Somente quem aceita e vence os desafios é que participa da História da Salvação (Ml 3.16).
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